quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Lições da Crise
sábado, 23 de julho de 2011
♫ “Eu to voltando pra casa” ♫
Na expectativa de que o meu colega tivesse se enganado, assistido a outro jogo do qual participara o Obina, fui ao YouTube. Confirmado: quatro pênaltis batidos como se a bola fosse um balde. Parecia que o Elano, Thiago Silva, André Santos e Fred desconheciam a importância que o futebol tem para o Brasil. Foi a única explicação que encontrei.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Inteligência e Sabedoria
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Do ABC ao Quartel de Bombeiros
Depois de duas semanas sem ler ou escutar noticias sobre o Brasil, durante o merecido isolamento romântico da minha “Lua de Mel”, me deparo com inúmeras notícias sobre a greve dos Bombeiros do estado do Rio de Janeiro. De todas as noticias que tive acesso nas redes sociais e nos jornais online, a que mais me espantou foi ler que mais de 400 bombeiros tinham sido presos durante uma manifestação.
No final da ditadura militar no Brasil, um dos episódios mais interessantes e simbólicos foi a greve dos metalúrgicos do ABC paulista em 1980. A greve iniciou em março de 1980, durou mais de 40 dias e teve a participação de 160 mil trabalhadores, transformando-se num marco na história das lutas trabalhistas no Brasil.
Durante essa manifestação alguns dos líderes sindicais foram presos, inclusive um que anos depois se tornaria Presidente da República. No entanto, nada chegou perto das mais de 400 prisões ordenadas pelo governador Sérgio Cabral. Esse número é inédito na historia da luta sindical brasileira e um marco da crescente criminalização dos movimentos trabalhistas e sociais.
Felizmente, chegando ao Brasil, recebi a boa notícia de que a população tinha tomado posição em favor dos bombeiros presos e, diferente do governo estadual, os considerava como heróis e não como bandidos. Apesar disso, é preocupante como a criminalização dos grevistas pelo governador atingiu um patamar tão elevado.
O governador Sérgio Cabral tem o hábito de chamar os integrantes de qualquer tipo de manifestação contraria ao seu governo de "vândalos" e/ou “vagabundos”, mas depois de mandar o BOPE invadir o quartel tomado pelos grevistas e suas famílias o adjetivo de “vândalo” é merecido pelo próprio e não pelos grevistas.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Tim-tim: um brinde a...
Desde dezembro de 2010 eu ligo constantemente para a Tim, não para bater papo ou jogar conversa fora (conforme jargão do mesmo seu José), mas para (TENTAR) solucionar problemas técnicos (resumindo beeemmm resumidinho mesmo). Das diversas horas, que somadas passariam de semanas ou meses (não duvidaria se chegasse à escala de séculos ou milênios), conversei com muitos (põe muitos nisso) atendentes. Alguns deles mal-educados, pela empresa ou pela família... ou por ambos- por umas três vezes chegaram a encerrar a ligação sem mesmo eu concluir a fala. O famoso desligou na cara (se o seu José tivesse telefone, provavelmente utilizaria esta expressão também)!
O tanto de protocolos deve ter feito com que o país, digo, a empresa tenha inserido um algarismo a mais na sequência numérica para futuros atendimentos. Resultado: nada. Bem, quase nada. Depois de muitos (põe muitos nisso) esforços, recuperei R$ 10 dos mais de R$ 20 cobrados indevidamente- uma das queixas é a respeito de ligações cobradas, mas não efetivadas, o que tem ocorrido com todos os moradores que eu conheço da Tim, grande seguidora e operadora da Teoria do Caos (a batida de asas de uma borboleta na China pode fazer com que o sinal do celular fique fora do ar por uma hora).
Depois de infinitas insistências, deixei de lado. Devo ter sido o único ou um dos primeiros a recuperar quase 50% das indevidas cobranças. Não sou (pelo menos ainda) presidente da República, Ziraldo ou Ronaaaaaaldo, mas fiz história. Ninguém, ou poucos, tem tanta paciência para repetir inúmeras vezes o mesmo assunto, reclamar de relatórios mal-registrados, suportar atendentes com má vontade, ouvir regras diferentes dependendo de quem atende, aquecer o ouvido esquerdo com o celular por horas em plena manhã/tarde de Páscoa, entre um belo ninho de pepinos e abacaxis.
Ameacei-os de ir à Justiça, ao Procon, a reclamar pessoalmente com o presidente do Supremo Tribunal Federal, a protestar na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Federal e até mesmo a falar com a minha mãe, mas tudo blefe, confesso. Ando sem tempo e com preguiça, pois será tanto esforço para reaver em torno de mais R$ 10... prefiro fazer com que a Tim gaste esse valor e muito mais através de papéis, impressões e serviços de postagem. Toda semana solicito gratuitamente o meu super-relatório detalhado de ligações!!! Um dia chegam...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Semana Santa
É bastante simbólico que no Domingo de Ramos, em que os cristãos começam a celebrar a Semana Santa, França e Itália iniciaram uma disputa diplomática, quando a França impediu a entrada em seu território de um trem vindo da Itália com cerca de 60 imigrantes tunisianos.
Não é de hoje que o Velho Continente dá sinais de senilidade, tomando atitudes xenofóbicas com relação a refugiados de países africanos e/ou muçulmanos que fogem da pobreza e buscam abrigo nos países europeus. O que essa briga diplomática bem no início da semana santa pode simbolizar é que o cidadão europeu típico, geralmente cristão, em momentos de crise econômica e apatia dos setores da esquerda, é facilmente seduzido pelo discurso da extrema direita e acaba colocando a culpa da crise nos imigrantes.
No Brasil, é política do governo dar, de tempos em tempos, anistia aos estrangeiros que vivem irregularmente no país, garantindo a eles acesso aos documentos necessários para trabalharem de maneira digna em solo nacional. Podemos nos orgulhar disso, mas devemos lembrar que não estamos livres do discurso preconceituoso da extrema direita. Só precisamos lembrar para onde se encaminhou o debate eleitoral ano passado e de como ainda existem pessoas dispostas a votar em políticos como Bolsonaro.
Como cristão, é triste ver que aqui no Brasil, como na Europa, é geralmente entre grupos de pessoas que se dizem seguidores de Cristo que o discurso da intolerância pregado pela extrema direita encontra terreno fértil. Conheço alguns ateus que dedicam boa parte do seu tempo livre a defender causas que se enquadram na mensagem de Cristo de amor ao próximo, e é pensando nelas que busco conforto espiritual quando vejo pessoas que se dizem cristãs proclamando palavras de ódio ao próximo.
No último show em São Paulo, Bono Vox, em um explícito elogio as políticas de distribuição de renda adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos, disse (em uma tradução livre) “O valor de uma sociedade pode ser medido na maneira em que ela trata os mais pobres e os mais frágeis”. Independente das críticas que podem ser feitas às políticas de distribuição de renda do governo e ao ativismo do Bono, a frase não deixa de ter seu valor. Devemos refletir qual é o caminho que queremos dar a nossa sociedade: se é o caminho do amor ao próximo (que hoje se traduz na defesa dos direitos humanos, no combate a desigualdade social e no fim da miséria), ou o caminho da intolerância, tão bem exposto nas políticas xenofóbicas do governo de Sarkozy, como nas palavras de intolerância que escutamos o deputado Bolsonaro pronunciar.
domingo, 3 de abril de 2011
"Mundo Pequeno"
Uma conhecida contava que vez ou outra, quando criança, o pai levava ela e sua irmã a Central do Brasil pela manhã, um dos horários mais cheios, com o propósito de mostrar para as filhas quem “trabalha de verdade no Brasil”.
Quando ainda na faculdade eu percebia que boa parte dos meus colegas já se conhecia ou tinham amigos em comum, uma vez que vinham de um número reduzido de colégios. Como eu morava em outra cidade todas as pessoas eram novas para mim, e tanto os poucos alunos que vinham do subúrbio, quanto a maioria que vinha dos bairros mais nobres (e da lista reduzida de colégios) eram igualmente estranhos no meu convívio.
Entrando no mercado de trabalho as coisas não mudaram muito e quase em toda reunião que envolve engenheiros e arquitetos de diferentes empresas eu presencio o encontro de antigos colegas de colégio e/ou faculdade que se saúdam com a famigerada expressão “mundo pequeno”. Para alguém que cresceu em uma cidade de 200 mil habitantes, e que já achava ela com um porte razoável, foi curioso ver que em uma cidade de mais de 6 milhões de habitantes são sempre as pessoas de mesma origem que ocupam as mesmas posições e logo eu percebi que o mundo não é pequeno, mas sim a renda que é concentrada.
Sendo filho de um imigrante que a vida o faz enquadrar-se no que os americanos chamam de “Self-Made Man” eu não posso negar que a ascensão social existe, mas ao longo da vida eu percebi que as pessoas que conseguem escalar economicamente são exceções a regra que diz que se você nasceu fora dos círculos economicamente melhores, é lá, fora desses círculos, que você vai passar a sua vida.
Na Universidade Federal, no curso de Engenharia (até hoje um dos mais elitistas), eu percebia que meus colegas se agrupavam em círculos de amizade que quase sempre refletia os bairros em que cada um morava e de tabela a condição financeira de cada um. Os poucos que vinham de bairros do subúrbio (o que não quer dizer que necessariamente tinha a situação financeira pior) é que tinham noção que toda a manhã uma massa de trabalhadores se aglomera nos trens da Central do Brasil e vai trabalhar de verdade.
Ao longo do meu crescimento profissional eu tento não esquecer que a sociedade é maior que o grupo com qual eu convivo profissionalmente, mas antes que eu me esqueça acho que devo dedicar uma manhã para uma visita a Central do Brasil, para ver o verdadeiro Brasil indo trabalhar.
terça-feira, 29 de março de 2011
Brincadeira de criança... e de adulto
sábado, 26 de março de 2011
Literatura Popular
Tolkien, autor da trilogia “O Senhor dos Anéis” e do “O Hobbit”, é um dos meus escritores favoritos. Comecei a conhecer seu trabalho com cerca de 12 anos, no final da infância e ainda sem nenhum conhecimento dos que são considerados os grandes autores da literatura. Alguns anos mais tarde quando li “O Senhor dos Anéis” fiquei extremamente impressionado com a capacidade do autor de conduzir uma história de 1000 páginas sempre mantendo o carisma e a magia que envolve a obra.
Com o passar do tempo conheci a obra de vários outros autores, mas o único que realmente impactou meu gosto literário como Tolkien foi Enernest Heingway, cujo estilo é quase que o oposto do estilo de Tolkien. Apesar das diferenças de estilo, sempre considerei ambos os autores como mestres da literatura. A grande diferença que encontrei entre eles não foi o modo de escrever, mas o reconhecimento. Tolkien é reconhecido por uma legião de fãs, mas é quase que repelido por parte da crítica literária, que o considera um autor de segunda. Já Heingway tem também um bom numero de fãs - muito menos que Tolkien é verdade -, mas apesar de não ser um dos preferidos da critica literária, recebe desta o seu reconhecido valor.
A diferença de estilo entre Tolkien e Heingway é clara, tanto como o motivo de um agradar os quase todos os críticos e o outro não. Tolkien se dedicou a escrever sobre o tema que chamamos hoje de “fantasia”, era fã da literatura medieval, católico e para o mundo literário dos anos 50, que se deliciava com as obras da “geração perdida’ de Heingway, era antes de tudo um antiquado. Tolkien foi considerado um escritor de gênero e não um escritor de literatura verdadeira e nunca foi reconhecido por boa parte da critica literária. Seus livros foram e até hoje são classificados como infantis e até como artisticamente pobres pelos críticos mais ferozes.
Gene Roddenberry, roteirista e produtor americano que criou nos anos 60 a famosa série de TV “Star Trek”, certa vez falou que queria fazer um programa de TV no qual pudesse falar de sexo, imperialismo, Vietnã, feminismo e outros temas polêmicos sem alarmar a emissora e os espectadores, a solução para isso foi colocar esses temas em uma nave espacial no futuro. Sendo uma série de “ficção cientifica”, “Star Trek” nunca sofreu nenhum tipo de crítica por seu conteúdo político, porque tal como a “fantasia”, “ficção cientifica” é considerada um subgênero para crianças. Tolkien nunca gostou desse tipo de alegoria explícita que é encontrada em “Star Trek”, mas não tem como negar que no “O Senhor dos Anéis” os personagens estão envoltos em temas fortes como sacrifício, amizade, guerra, heroísmo, persistência, corrupção e uma série de outros que carregam profundas discussões existenciais, sempre sem perder o carisma e a magia que marcam a obra.
Ronald Kyrmse, um dos maiores especialistas brasileiros em Tolkien disse que “(...)O problema de Tolkien é que os críticos não têm com o que compará-lo, pelo menos na literatura contemporânea. Isso gera uma incompreensão que os leva a rejeitá-lo”. Pessoalmente, eu acredito que os críticos literários não gostam de nada que não esteja exclusivamente dentro do seu domínio. Sempre que eles se deparam com um autor popular como Tolkien, o julgam como inferior, porque se a ele fosse dado o devido reconhecimento significaria que teriam que admitir que sua legião de fãs possa debater literatura com eles, de igual para igual. Ou seja, Tolkien não é reconhecido por puro elitismo. Cabe lembrar que a profissão de crítico parte do pressuposto que você não tem condição intelectual de dizer por si mesmo o que é bom ou ruim, e precisa de alguém mais culto para fazer isso pra você.


