quarta-feira, 22 de junho de 2011

Do ABC ao Quartel de Bombeiros

Depois de duas semanas sem ler ou escutar noticias sobre o Brasil, durante o merecido isolamento romântico da minha “Lua de Mel”, me deparo com inúmeras notícias sobre a greve dos Bombeiros do estado do Rio de Janeiro. De todas as noticias que tive acesso nas redes sociais e nos jornais online, a que mais me espantou foi ler que mais de 400 bombeiros tinham sido presos durante uma manifestação.

No final da ditadura militar no Brasil, um dos episódios mais interessantes e simbólicos foi a greve dos metalúrgicos do ABC paulista em 1980. A greve iniciou em março de 1980, durou mais de 40 dias e teve a participação de 160 mil trabalhadores, transformando-se num marco na história das lutas trabalhistas no Brasil.

Durante essa manifestação alguns dos líderes sindicais foram presos, inclusive um que anos depois se tornaria Presidente da República. No entanto, nada chegou perto das mais de 400 prisões ordenadas pelo governador Sérgio Cabral. Esse número é inédito na historia da luta sindical brasileira e um marco da crescente criminalização dos movimentos trabalhistas e sociais.

Felizmente, chegando ao Brasil, recebi a boa notícia de que a população tinha tomado posição em favor dos bombeiros presos e, diferente do governo estadual, os considerava como heróis e não como bandidos. Apesar disso, é preocupante como a criminalização dos grevistas pelo governador atingiu um patamar tão elevado.

O governador Sérgio Cabral tem o hábito de chamar os integrantes de qualquer tipo de manifestação contraria ao seu governo de "vândalos" e/ou “vagabundos”, mas depois de mandar o BOPE invadir o quartel tomado pelos grevistas e suas famílias o adjetivo de “vândalo” é merecido pelo próprio e não pelos grevistas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Tim-tim: um brinde a...


Às vezes eu penso que se a Tim fosse um país e as regras da empresa constituíssem a Constituição (seria uma redundância?), o que seria de nós, povo/cliente/vítima da operadora? Haveria uma ditadura da anarquia? Leis-camaleão que mudam conforme a temperatura, a situação, o ambiente etc? Peemedebistas que adotam diferentes discursos em diferentes momentos e circunstâncias? Êê, como dizia seu José da roça, êê!

Desde dezembro de 2010 eu ligo constantemente para a Tim, não para bater papo ou jogar conversa fora (conforme jargão do mesmo seu José), mas para (TENTAR) solucionar problemas técnicos (resumindo beeemmm resumidinho mesmo). Das diversas horas, que somadas passariam de semanas ou meses (não duvidaria se chegasse à escala de séculos ou milênios), conversei com muitos (põe muitos nisso) atendentes. Alguns deles mal-educados, pela empresa ou pela família... ou por ambos- por umas três vezes chegaram a encerrar a ligação sem mesmo eu concluir a fala. O famoso desligou na cara (se o seu José tivesse telefone, provavelmente utilizaria esta expressão também)!

O tanto de protocolos deve ter feito com que o país, digo, a empresa tenha inserido um algarismo a mais na sequência numérica para futuros atendimentos. Resultado: nada. Bem, quase nada. Depois de muitos (põe muitos nisso) esforços, recuperei R$ 10 dos mais de R$ 20 cobrados indevidamente- uma das queixas é a respeito de ligações cobradas, mas não efetivadas, o que tem ocorrido com todos os moradores que eu conheço da Tim, grande seguidora e operadora da Teoria do Caos (a batida de asas de uma borboleta na China pode fazer com que o sinal do celular fique fora do ar por uma hora).

Depois de infinitas insistências, deixei de lado. Devo ter sido o único ou um dos primeiros a recuperar quase 50% das indevidas cobranças. Não sou (pelo menos ainda) presidente da República, Ziraldo ou Ronaaaaaaldo, mas fiz história. Ninguém, ou poucos, tem tanta paciência para repetir inúmeras vezes o mesmo assunto, reclamar de relatórios mal-registrados, suportar atendentes com má vontade, ouvir regras diferentes dependendo de quem atende, aquecer o ouvido esquerdo com o celular por horas em plena manhã/tarde de Páscoa, entre um belo ninho de pepinos e abacaxis.

Ameacei-os de ir à Justiça, ao Procon, a reclamar pessoalmente com o presidente do Supremo Tribunal Federal, a protestar na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Federal e até mesmo a falar com a minha mãe, mas tudo blefe, confesso. Ando sem tempo e com preguiça, pois será tanto esforço para reaver em torno de mais R$ 10... prefiro fazer com que a Tim gaste esse valor e muito mais através de papéis, impressões e serviços de postagem. Toda semana solicito gratuitamente o meu super-relatório detalhado de ligações!!! Um dia chegam...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Semana Santa

É bastante simbólico que no Domingo de Ramos, em que os cristãos começam a celebrar a Semana Santa, França e Itália iniciaram uma disputa diplomática, quando a França impediu a entrada em seu território de um trem vindo da Itália com cerca de 60 imigrantes tunisianos.

Não é de hoje que o Velho Continente dá sinais de senilidade, tomando atitudes xenofóbicas com relação a refugiados de países africanos e/ou muçulmanos que fogem da pobreza e buscam abrigo nos países europeus. O que essa briga diplomática bem no início da semana santa pode simbolizar é que o cidadão europeu típico, geralmente cristão, em momentos de crise econômica e apatia dos setores da esquerda, é facilmente seduzido pelo discurso da extrema direita e acaba colocando a culpa da crise nos imigrantes.

No Brasil, é política do governo dar, de tempos em tempos, anistia aos estrangeiros que vivem irregularmente no país, garantindo a eles acesso aos documentos necessários para trabalharem de maneira digna em solo nacional. Podemos nos orgulhar disso, mas devemos lembrar que não estamos livres do discurso preconceituoso da extrema direita. Só precisamos lembrar para onde se encaminhou o debate eleitoral ano passado e de como ainda existem pessoas dispostas a votar em políticos como Bolsonaro.

Como cristão, é triste ver que aqui no Brasil, como na Europa, é geralmente entre grupos de pessoas que se dizem seguidores de Cristo que o discurso da intolerância pregado pela extrema direita encontra terreno fértil. Conheço alguns ateus que dedicam boa parte do seu tempo livre a defender causas que se enquadram na mensagem de Cristo de amor ao próximo, e é pensando nelas que busco conforto espiritual quando vejo pessoas que se dizem cristãs proclamando palavras de ódio ao próximo.

No último show em São Paulo, Bono Vox, em um explícito elogio as políticas de distribuição de renda adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos, disse (em uma tradução livre) “O valor de uma sociedade pode ser medido na maneira em que ela trata os mais pobres e os mais frágeis”. Independente das críticas que podem ser feitas às políticas de distribuição de renda do governo e ao ativismo do Bono, a frase não deixa de ter seu valor. Devemos refletir qual é o caminho que queremos dar a nossa sociedade: se é o caminho do amor ao próximo (que hoje se traduz na defesa dos direitos humanos, no combate a desigualdade social e no fim da miséria), ou o caminho da intolerância, tão bem exposto nas políticas xenofóbicas do governo de Sarkozy, como nas palavras de intolerância que escutamos o deputado Bolsonaro pronunciar.

domingo, 3 de abril de 2011

"Mundo Pequeno"

Uma conhecida contava que vez ou outra, quando criança, o pai levava ela e sua irmã a Central do Brasil pela manhã, um dos horários mais cheios, com o propósito de mostrar para as filhas quem “trabalha de verdade no Brasil”.

Quando ainda na faculdade eu percebia que boa parte dos meus colegas já se conhecia ou tinham amigos em comum, uma vez que vinham de um número reduzido de colégios. Como eu morava em outra cidade todas as pessoas eram novas para mim, e tanto os poucos alunos que vinham do subúrbio, quanto a maioria que vinha dos bairros mais nobres (e da lista reduzida de colégios) eram igualmente estranhos no meu convívio.

Entrando no mercado de trabalho as coisas não mudaram muito e quase em toda reunião que envolve engenheiros e arquitetos de diferentes empresas eu presencio o encontro de antigos colegas de colégio e/ou faculdade que se saúdam com a famigerada expressão “mundo pequeno”. Para alguém que cresceu em uma cidade de 200 mil habitantes, e que já achava ela com um porte razoável, foi curioso ver que em uma cidade de mais de 6 milhões de habitantes são sempre as pessoas de mesma origem que ocupam as mesmas posições e logo eu percebi que o mundo não é pequeno, mas sim a renda que é concentrada.

Sendo filho de um imigrante que a vida o faz enquadrar-se no que os americanos chamam de “Self-Made Man” eu não posso negar que a ascensão social existe, mas ao longo da vida eu percebi que as pessoas que conseguem escalar economicamente são exceções a regra que diz que se você nasceu fora dos círculos economicamente melhores, é lá, fora desses círculos, que você vai passar a sua vida.

Na Universidade Federal, no curso de Engenharia (até hoje um dos mais elitistas), eu percebia que meus colegas se agrupavam em círculos de amizade que quase sempre refletia os bairros em que cada um morava e de tabela a condição financeira de cada um. Os poucos que vinham de bairros do subúrbio (o que não quer dizer que necessariamente tinha a situação financeira pior) é que tinham noção que toda a manhã uma massa de trabalhadores se aglomera nos trens da Central do Brasil e vai trabalhar de verdade.

Ao longo do meu crescimento profissional eu tento não esquecer que a sociedade é maior que o grupo com qual eu convivo profissionalmente, mas antes que eu me esqueça acho que devo dedicar uma manhã para uma visita a Central do Brasil, para ver o verdadeiro Brasil indo trabalhar.

terça-feira, 29 de março de 2011

Brincadeira de criança... e de adulto

Quando eu era pequeno, lá pelos 13 anos [velho é a cueca furada do seu pai], morava num lugar próximo a uma gruta, conhecida por todos os meninos da redondeza como “a caverna”, no meio de morros, mata e árvores de abacate e jabuticaba. Assustadora e misteriosa, ela guardava uma lenda que nos instigava. Havia um mito de que no fim da caverna, bicicletas, videogames e brinquedos em geral estariam a espera do grande valente que superasse o percurso fortemente protegido por aranhas e suas teias [isso, só de início, já que dragões e outros ferozes animais famintos e mal-intencionados estariam prontos para impedir a passagem de quem se atrevesse a avançar gruta a dentro]. A distância? Ninguém sabia. Só era possível ver mais ou menos dois metros [deve ser isso] até que a curva à direta trazia o breu que iniciava a nossa curiosidade... e medo.

Qual menino enfrentaria as aranhas-soldados e se lançaria a uma jornada jamais superada, pelo menos registro algum na história da humanidade provava o contrário. Logo na fachada, na parte superior, a ação do tempo e algumas plantas tentavam esconder um número. Se minha memória não me engana, era “1908”, ano extremamente distante para uma molecada de menos de 15 anos, o que aumentava ainda mais o medo de encarar o desafio.

Coragem não faltava para assustar os pedestres na rua com uma pequena corda e uma Espada de São Jorge, que se passava por cobra diante dos distraídos. Também não receávamos quando tocávamos as campaninhas da vizinhança e saíamos correndo. “A caverna”, porém, nos exigia muito mais do que ousadia e simples coragem.

Muito tempo passou, até que um menino grande, brigão e desvirtuado da escola ficou sabendo da gruta. A notícia logo se espalhou pelas redondezas. “Quer dizer que vão explorar a caverna?” “Quem?” “E vão retirar todos os brinquedos?” “Quando” Chegou o dia. Após uma manhã de aula, o menino-homem-brutalhão foi ao “sítio” desbravar as terras inexploradas e se consagrar o grande herói da humanidade. Inteligentemente, levou o isqueiro [com o qual acendia os próprios cigarros] e algumas folhas de jornal [provavelmente comprado na hora] para espantar os exércitos de aranhas e iniciar o longo e duro percurso até a recompensa final, sem previsão de retorno.

O mais difícil foi tomar coragem para entrar, mas depois de alguns minutos, ele entrou. Afastou os aracnídeos com a fumaça e em poucos segundos chegou à curva, onde, acreditávamos, ninguém havia chegado antes, desde o fenômeno do Bi Bang, há 13 bilhões de anos. “E aí, o que tem? O que você vê?”, questionávamos ansiosos. “Nada, não há nada”, disse ele. “Nada? Como nada?” “E os brinquedos? Qual a marca da bicicleta?” “Quais fitas acompanham o vídeo game? Há Fifa Soccer” “Qual é o vídeo game? Tem manete de seis botões” “Nada, gente, só tem água aqui e uma parede. Não há mais para onde ir”.

Silêncio. Profundo. Um profuuuuundo silêncio assolou os cerca de cinco ou seis meninos que ansiosamente aguardam notícias capazes de pôr fim a um dos grandes mistérios do Universo. Sobre as pirâmides do Egito, por exemplo, haviam teorias que esclareciam, ainda que parcialmente, os motivos das construções [uma delas é a de que extraterrestres fossem os autores das arquiteturas]. Sobre “a caverna”, porém, nenhuma publicação comentava a respeito. Nada. Um de nós sozinho tinha mais brinquedos do que na outra ponta da caverna.

O estranho sentimento de todos quando retornávamos para casa era parecido como o de um jovem brasileiro, cuja entrevista assisti há algum tempo num programa de televisão. Ele contava a experiência de retornar da Europa, onde foi em busca dos “brinquedos prometidos”. Desde garoto, ele ouvia comentários de que o Velho Continente reunia perfeitas condições para o progresso e para o conforto financeiro, motivo pelo qual diversos latino-americanos deixavam o país de origem. Com esta expectativa, assumiu fôlego para enfrentar aranhas-soldados e concluir que no próprio Brasil poderia conquistar brinquedos, conforme nos indica o crescimento do PIB em 2010, atingindo 7.5%.

No caminho do jovem brasileiro, tanto as aranhas foram verdadeiras, quanto uma poça de água após a curva, depois da qual nem bicicleta nem videogame se faziam presentes. O rapaz disse ter lidado com “problemas sociais tipicamente brasileiros”. Retornou otimista à terra-pátria convencido de que, mais do que lá, poderia construir um “parque de diversões”, inclusive com muita água, recurso abundante em nosso solo.

sábado, 26 de março de 2011

Literatura Popular

Tolkien, autor da trilogia “O Senhor dos Anéis” e do “O Hobbit”, é um dos meus escritores favoritos. Comecei a conhecer seu trabalho com cerca de 12 anos, no final da infância e ainda sem nenhum conhecimento dos que são considerados os grandes autores da literatura. Alguns anos mais tarde quando li “O Senhor dos Anéis” fiquei extremamente impressionado com a capacidade do autor de conduzir uma história de 1000 páginas sempre mantendo o carisma e a magia que envolve a obra.

Com o passar do tempo conheci a obra de vários outros autores, mas o único que realmente impactou meu gosto literário como Tolkien foi Enernest Heingway, cujo estilo é quase que o oposto do estilo de Tolkien. Apesar das diferenças de estilo, sempre considerei ambos os autores como mestres da literatura. A grande diferença que encontrei entre eles não foi o modo de escrever, mas o reconhecimento. Tolkien é reconhecido por uma legião de fãs, mas é quase que repelido por parte da crítica literária, que o considera um autor de segunda. Já Heingway tem também um bom numero de fãs - muito menos que Tolkien é verdade -, mas apesar de não ser um dos preferidos da critica literária, recebe desta o seu reconhecido valor.

A diferença de estilo entre Tolkien e Heingway é clara, tanto como o motivo de um agradar os quase todos os críticos e o outro não. Tolkien se dedicou a escrever sobre o tema que chamamos hoje de “fantasia”, era fã da literatura medieval, católico e para o mundo literário dos anos 50, que se deliciava com as obras da “geração perdida’ de Heingway, era antes de tudo um antiquado. Tolkien foi considerado um escritor de gênero e não um escritor de literatura verdadeira e nunca foi reconhecido por boa parte da critica literária. Seus livros foram e até hoje são classificados como infantis e até como artisticamente pobres pelos críticos mais ferozes.

Gene Roddenberry, roteirista e produtor americano que criou nos anos 60 a famosa série de TV “Star Trek”, certa vez falou que queria fazer um programa de TV no qual pudesse falar de sexo, imperialismo, Vietnã, feminismo e outros temas polêmicos sem alarmar a emissora e os espectadores, a solução para isso foi colocar esses temas em uma nave espacial no futuro. Sendo uma série de “ficção cientifica”, “Star Trek” nunca sofreu nenhum tipo de crítica por seu conteúdo político, porque tal como a “fantasia”, “ficção cientifica” é considerada um subgênero para crianças. Tolkien nunca gostou desse tipo de alegoria explícita que é encontrada em “Star Trek”, mas não tem como negar que no “O Senhor dos Anéis” os personagens estão envoltos em temas fortes como sacrifício, amizade, guerra, heroísmo, persistência, corrupção e uma série de outros que carregam profundas discussões existenciais, sempre sem perder o carisma e a magia que marcam a obra.

Ronald Kyrmse, um dos maiores especialistas brasileiros em Tolkien disse que “(...)O problema de Tolkien é que os críticos não têm com o que compará-lo, pelo menos na literatura contemporânea. Isso gera uma incompreensão que os leva a rejeitá-lo”. Pessoalmente, eu acredito que os críticos literários não gostam de nada que não esteja exclusivamente dentro do seu domínio. Sempre que eles se deparam com um autor popular como Tolkien, o julgam como inferior, porque se a ele fosse dado o devido reconhecimento significaria que teriam que admitir que sua legião de fãs possa debater literatura com eles, de igual para igual. Ou seja, Tolkien não é reconhecido por puro elitismo. Cabe lembrar que a profissão de crítico parte do pressuposto que você não tem condição intelectual de dizer por si mesmo o que é bom ou ruim, e precisa de alguém mais culto para fazer isso pra você.

terça-feira, 8 de março de 2011

Toda pizza tem data de validade


Por mais que haja alguma força e tendência para repressão, a humanidade tende à liberdade. As pessoas gostam de liberdade, de exercer o livre arbítrio, de conquistar e desfrutar o que a elas pertence. De escolher. Eu gosto. Tu gostas. Ele gosta. Ela também, assim como nós e vós. Como poderia esquecer que elas e eles gostam. As revoltas populares no Oriente Médio e no norte da África são mais um exemplo de que coação, repressão, imposição, constrangimento têm data de validade, e logo logo apodrecem, como pizza velha na padaria.

Pode durar muito tempo, é verdade. Pode, lamentavelmente, custar vidas de inocentes e não-inocentes, gerar mal-estar em algumas gerações limitadas a fazer o que “superiores” ordenam, mas opressão nunca supera a liberdade e a verdade, por mais que os conservantes prolonguem a vida opressora.

O que é verdadeiro não apodrece. O que faz bem rejuvenesce. O que é certo prevalece e cura os estômagos danificados pelas salmonellas. Por mais que as injustiças assustem e efemeridades conturbem, a verdade orienta tudo como deve ser, e a liberdade, como o bom filho, à casa retorna.

Vejamos o exemplo do ditador Muammar Kadafi, há 42 anos no poder da Líbia (ex-colônia da Itália, de onde surgiu a pizza). Ele está prestes a deixar o cargo, conforme aconteceu com Muhammad Mubarak, no trono do Egito por 30 anos, até não aguentar a pressão popular pela liberdade. Os ventos antiditadura sopram também contra outros tronos, como do Kuwait, Omã e Tunísia.

Claro, os procedimentos pós-ingestão de alimento contaminado com bactérias devem ser cuidadosamente estudados e operacionalizados, para fortalecer o paciente e permitir que a boa saúde se estabeleça e garanta o bom ambiente para florescimento da vida, através de adequados nutrientes. Por isso, o período pós-ditadura requer uma sólida e responsável assistência em relação ao povo e aos organizamos sociais daqueles países, caso contrário a euforia da liberdade será sucedida pela incerteza de salmonellas despreocupadas com o bem-estar da população.

[Bem-estar até poderia ser um termo-chave nos discursos e políticas públicas, assim como observamos a utilização de palavras tais como “progresso”, “inovação”, “desenvolvimento”. Afinal, para que tanto investimento senão para aperfeiçoar a vida social, permeada de satisfação humana? Por isso, costumo dizer que o modelo desenvolvimentista precisa ser acompanhado em todo o processo pela adequação ao bem-estar humano -quem não gosta de bem-estar, favor levantar a mão. Eu gosto. Tu gostas. Ele gosta. Ela também, assim como nós e vós. Como poderia esquecer que elas e eles gostam?].

Deixe-me citar o exemplo das mulheres, no que diz respeito à liberdade. Há poucos anos, a figura feminina se limitava à sombra masculina, que provia o lar e orientava, muitas vezes rigidamente (como monarcas árabes) o contexto familiar. Para o bem, inclusive dos homens, a mulher hoje é ativa socialmente, estuda, trabalha, aprende, se aperfeiçoa, vive além dos limites impostos no período anterior.

Eu diria até que a opressão é como sucesso de momento, solidificado por bases de areia: se desfaz como paçoca na mãe de criança, sem deixar parâmetros de como era a estrutura anterior. E após o (relativo) breve percurso, os responsáveis pelas coações e constrangimentos serão julgados, ainda que informalmente, como aproveitadores e insábios. Ainda que a fortuna (ou outras vantagens)acumulada (as)seja (m)considerável (veis), acredito que a imagem pública e a autoavaliação ocupem pontos proporcionalmente opostos na escala da grandeza humana.

Hoje, sobram livros que abordam o papel do verdadeiro líder: aquele que cultiva em si e nos liderados os valores de caráter, honestidade, transparência, ética, bem-estar individual e coletivo, clareza... tudo isso sem opressão. Este líder se difere do antigo “líder”, ou melhor, do chefe, termo já retardatalho, pois preserva conceitos que não satisfazem os interesses das modernas organizações sociais. O tradicional chefe [mais inflexível, disciplinador e pouco criativo] até é capaz de administrar [relativamente] bem uma organização, mas falha na gestão de pessoas.

Por mais que demore um pouco além do esperado, a liberdade sempre supera as opressões, pelo menos é o que a história tem sussurrado gritado nos nossos ouvidos. E acredito que esta lei natural deva permanecer, pois verdade que é verdade não muda para se adaptar ao momento, como fazem mentiras fantasiadas de verdades... até porque, como já dizia Marcelo Camelo: “todo Carnaval tem seu fim”. E se pizza fosse saudável, em vez de refrigerante, outro líquido seria a combinação perfeita para ela.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Cidade Pequena

Sempre gostei dos gibis no estilo que os americanos chamam de Graphic Novel, mesmo não conhecendo muito sobre eles.

A minha Grapic Novel (gibi) favorita é uma historia do Super-Homem chamada “Super-Homem - As Quatro Estações”. A história, que tem o roteiro de Jeph Loeb e os lindos desenhos de Tim Sale, se passa em torno das mudanças na vida do jovem Clark Kent, que troca a pequena cidade de Smallville (Pequenópolis na tradução) para a grande Metrópolis, onde ele se torna o Super-Homem.

Em certo momento, no meio da história, Clark volta a Pequenópolis para visitar seus pais. Depois de passar um dia revendo os lugares de sua infância, Clark desabafa com sua mãe que se sente deslocado na cidade grande e que apesar de sempre pensar em Pequenópolis como sendo o seu lar ele tinha percebido que as coisas ali mudaram, que ele já não pertencia mais àquele lugar. Marta Kent, em sua infinita sabedoria de mãe, explica ao filho que isso faz parte do crescimento e mesmo com suas duvidas ele já tinha encontrado o próprio caminho. Quando li essa passagem do gibi não pude deixar de pensar no trajeto que fiz, saindo de Pedro do Rio e vindo morar no Rio de Janeiro.

Tenho um amigo, que divide esse blog comigo, que diz que Pedro do Rio apesar de ser um distrito de Petrópolis (cidade do estado do Rio de Janeiro) parece uma cidadezinha do interior de Minas. Esse amigo ressalta que se não fosse por alguns quilômetros Pedro do Rio estaria no seu local de direito, junto a sua verdadeira família, em Minas. Crescer em um lugar como esse permite você ver a vida de uma maneira um pouco mais humana. Afinal, você vive em um lugar onde a pessoa na sua frente da fila do banco não é um estranho e sim seu vizinho, onde o padeiro é o mesmo que vendeu pão a seus pais quando eles tinham a sua idade e onde você caminha pelas ruas e cumprimenta boa parte das pessoas pelo nome.

Para alguém que cresceu em um lugar assim, como Pequenópolis ou Pedro do Rio, ir morar em uma cidade gigantesca, onde você é mais um anônimo no meio da multidão, é bastante impactante e também bastante significativo.

Um bom número de autores de histórias do Super-Homem ressaltou que foi a criação que Clark Kent teve em Pequenópolis que fundamentou seu caráter e permitiu a alguém como ele, com o poder de fazer e ter tudo, escolher ser um herói.

Eu não posso negar que me sai razoavelmente bem morando no Rio. Afinal eu terminei a faculdade, fiz mestrado, tenho um emprego que me paga bem, uma namorada bonita e boa chance de conseguir uma quantidade razoável de dinheiro em um futuro não muito distante. No entanto, sempre que percebo que essas coisas estão subindo minha cabeça procuro lembrar que eu cresci em Pedro do Rio e que é lá onde encontro as referências que gostaria de seguir. Sempre durante o almoço com meus chefes e colegas de trabalho que a conversa parte para discussões sobre vinhos importados, carros novos e restaurantes chiques eu tento lembrar que as coisas que realmente importam na vida não são estas e sim as que podemos desfrutar na vida em comunidade, junto à família e os amigos, e que apenas Pedro do Rio pode me oferecer.

Sejam bem-vindos (mas deixem a gorjeta na saída)

Um flamenguista e um botafoguense, um jornalista e um engenheiro. Param aí as diferenças entre os ex-jogadores de botão Bruno Lara  e Matheus Martins, católicos, sonhadores e amigos desde... nossa! Acho que desde que o Collor era presidente e o Lula andava como um roqueiro revoltado por não poder assistir na primeira fila ao show do Capital Inicial. Mais ou menos isso!

Metidos a escritores (modéstia à parte, nossas mães elogiam as nossas escritas- e tenha respeito, não as chame de mentirosas) e certos de que vão mudar a história da humanidade para melhor, Bruno Lara (27 anos) e Matheus Martins (quase 28 anos) iniciam neste milésimo de segundo o blog Prosa de Amigos- Uma dupla de Dois Companheiros, com o objetivo de expor os pensamentos e conversas-- sejam pessoais ou ainda através de e-mails ou pelo MSN (fora do horário de trabalho “é claro!!”).

Os assuntos? Vixi, os mais diversos: política, cultura, política, finanças, política, educação, humor, futebol, política, religião etc. Faltou alguma coisa? Bem, provavelmente sim, mas ao lembrarmos, pode deixar que seremos fiéis aos leitores (tomara que ultrapasse a casa de 1 dígito) e publicaremos tudinhozinho aqui, neste batlocal em qualquer bathorário!

Uma leitura e um bom abraço (ou seria o contrário?)
Ah...!!!